Educação física nas escolas em debate

Por Cristiane Brasil

Uma pesquisa feita pela Universidade Federal Fluminense e Fundação Oswaldo Cruz, indicou que as aulas de educação física não estão despertando o interesse dos alunos, fazendo com que crianças e adolescentes deixem de desenvolver hábitos saudáveis de praticar exercícios físicos. E um dos motivos, segundo o estudo, é que os professores não estão estimulando satisfatoriamente a prática de esportes. Na opinião de um dos pesquisadores, há uma defasagem entre os programas atuais de educação física e a expectativa dos alunos por atrativos mais interessantes à atividade corporal.

A pesquisa é, ao mesmo tempo, surpreendente e reveladora, pois, mesmo sendo a educação física uma obrigação pedagógica há décadas, pelo visto, o desenvolvimento da atividade nas escolas não tem correspondido às expectativas de introduzir na sociedade a cultura da preservação da saúde através de métodos preventivos, como o exercício físico. Ao mesmo tempo, a falha pedagógica acaba por interferir nas pretensões de transformar o País numa das potências esportivas do novo milênio, pois, a despeito das conquistas pontuais em algumas modalidades, o Brasil ainda não é considerado uma potência nos esportes.

Então, por que não incentivarmos à participação dos alunos, adotando mais esportes competitivos, como as artes marciais? Com uma mudança pedagógica, não podería mos introduzir o Karatê, o Judô ou outros esportes na grade curricular das escolas? Talvez esteja aí uma das saídas para tornarmos atraente a prática desportiva nas escolas. Ao mesmo tempo, é fundamental a adoção da escola em tempo integral, pelo menos no ensino fundamental, onde o ciclo de alfabetização poderia ser completado por atividades lúdicas e desportivas.

Seja qual for a solução, o que não podemos admitir é a ausência do debate numa questão tão crucial para o desenvolvimento do nosso povo.

Sabemos que a educação é base para toda justiça social e, por conta disso, não podemos negligenciar as oportunidades de mudança.